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Time Out - Dez 2011

01 Dezembro 2011

Dá gosto ouvir um grupo que sabe tirar partido da natureza etérea do vibrafone – basta ouvir as duas primeiras faixas deste CD, “Azul Estranho” e “Fireball”, para perceber que as supostas limitações do trio de vibrafone, contrabaixo e bateria (a cargo de Paulo Costa, David Estêvão e André NO, respectivamente) são convertidas em mais-valias. A toada aérea e luminosa da abertura dá lugar a ambientes densos em “Ainda Não” e ganha sombras e mistério em “Asas”, a que o steel drum (no lugar do vibrafone) adiciona um travo exótico. O sopro Twilight Zone contamina também “Jazzigo” e “Maré”. A originalidade da estreia deste trio portuense (reforçado pontualmente por guitarra, trombone ou saxofone) só torna mais patente a banalidade de That Old Feeling (ver crítica). José Carlos Fernandes

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JazzPT - #39 Nov/Dez 2011

01 Novembro 2011

"Azul Estranho" é o primeiro registo discográfico de um trio peculiar, Glauco, que desenvolve trabalho desde 2006, a partir do Porto. Um trio de vibrafone / steel drums, bateria / percussão e contrabaixo tem em si mesmo um conjunto significativo de limitações e possibilidades únicas. Esta edição de autor apresenta-nos os universos musicais por onde se move esta formação e traz alguns convidados que expandem as suas possibilidades e acrescentam valor ao álbum, em intervenções dignas de destaque. Reconhecem-se nos temas formas de pensar a musica comuns a percussionistas e contrabaixistas, com recurso a módulos e ciclos, mais ou menos complexos, que podem ser combinados ou repetidos em arcos dinâmicos diferenciados, mas o desenho melódico e harmónica não e descuidado e a riqueza tímbrica do ensemble mantem-se bem presente. O disco constrói-se cuidadosamente, num percurso de descoberta que começa com três temas só do trio bateria, contrabaixo e vibrafone, estabelecendo uma base apelativa e familiar. Com "Asas", a quarta peça, Paulo Costa muda para os caribenhos "steel drums", que adquirem, neste contexto, uma dimensão misteriosa, expandindo o universo sonoro do grupo, sobre o qual se afirma o convidado Miguel Moreira, num solo de grande qualidade. Com uma escrita e um universo sonoro já bastante diferentes, os Glauco mostram outra face e o CD ganha novo fôlego. Num contexto mais abstracto, as possibilidades e subtilezas instrumentais do ensemble começam a ser reveladas e as imagens sugeridas pela musica tornam-se mais sombrias, mas também mais ricas. O álbum sugere, alias, varias imagens ou tonalidades, na forma como os temas se desenvolvem entre momentos de grande rigor estrutural e intervenções mais atmosféricas, fazendo um uso muito eficaz de todos os recursos e técnicas instrumentais. Os grandes contrastes dinâmicos que se afirmam, por exemplo, em "Arvore" (nos dois primeiros Quadros), com a intervenção do trombone de Rui Oliveira e da guitarra de Miguel Moreira, criam os necessários espaços de respiração, tensão e resolução. A escrita muito "fílmica" de varias das composições ("FSU" é um bom exemplo) assenta perfeitamente nas características do grupo e a sua eficácia depende, em grande medida, do alinhamento global. Referencia ainda para a colaboração do saxofonista Paulo Gravato em "Mare", onde, mais uma vez, os "steel drums" desempenham um papel fundamental na alteração completa da sonoridade do grupo, aqui reforçada pela tamboura eletrónica. Um primeiro registo de grande qualidade, a merecer a máxima atenção. João Martins

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JazzPT - #39 Nov/Dez 2011

01 Novembro 2011

"Azul Estranho" é o primeiro registo discográfico de um trio peculiar, Glauco, que desenvolve trabalho desde 2006, a partir do Porto. Um trio de vibrafone / steel drums, bateria / percussão e contrabaixo tem em si mesmo um conjunto significativo de limitações e possibilidades únicas. Esta edição de autor apresenta-nos os universos musicais por onde se move esta formação e traz alguns convidados que expandem as suas possibilidades e acrescentam valor ao álbum, em intervenções dignas de destaque. Reconhecem-se nos temas formas de pensar a musica comuns a percussionistas e contrabaixistas, com recurso a módulos e ciclos, mais ou menos complexos, que podem ser combinados ou repetidos em arcos dinâmicos diferenciados, mas o desenho melódico e harmónica não e descuidado e a riqueza tímbrica do ensemble mantem-se bem presente. O disco constrói-se cuidadosamente, num percurso de descoberta que começa com três temas só do trio bateria, contrabaixo e vibrafone, estabelecendo uma base apelativa e familiar.

Com "Asas", a quarta peça, Paulo Costa muda para os caribenhos "steel drums", que adquirem, neste contexto, uma dimensão misteriosa, expandindo o universo sonoro do grupo, sobre o qual se afirma o convidado Miguel Moreira, num solo de grande qualidade. Com uma escrita e um universo sonoro já bastante diferentes, os Glauco mostram outra face e o CD ganha novo fôlego.

Num contexto mais abstracto, as possibilidades e subtilezas instrumentais do ensemble começam a ser reveladas e as imagens sugeridas pela musica tornam-se mais sombrias, mas também mais ricas. O álbum sugere, alias, varias imagens ou tonalidades, na forma como os temas se desenvolvem entre momentos de grande rigor estrutural e intervenções mais atmosféricas, fazendo um uso muito eficaz de todos os recursos e técnicas instrumentais.

Os grandes contrastes dinâmicos que se afirmam, por exemplo, em "Arvore" (nos dois primeiros Quadros), com a intervenção do trombone de Rui Oliveira e da guitarra de Miguel Moreira, criam os necessários espaços de respiração, tensão e resolução.

A escrita muito "fílmica" de varias das composições ("FSU" é um bom exemplo) assenta perfeitamente nas características do grupo e a sua eficácia depende, em grande medida, do alinhamento global. Referencia ainda para a colaboração do saxofonista Paulo Gravato em "Mare", onde, mais uma vez, os "steel drums" desempenham um papel fundamental na alteração completa da sonoridade do grupo, aqui reforçada pela tamboura eletrónica. Um primeiro registo de grande qualidade, a merecer a máxima atenção.

João Martins